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Os erros do Plano Nacional de Banda Larga
08/05/10
A internet virou, para o homem, um dos maiores meios de comunicação. Se não o maior. A comunicação que nos permite desenvolver. Hoje em dia, banda larga é tão essencial quanto saneamento básico: você hoje manda emails e não cartas, não lê jornais e sim portais ou versões digitais de jornais, com vídeo e áudio incorporado. Com o grande boom da comunicação, banda larga é um serviço essencial.
Um norte foi dado para o Plano Banda Larga do governo, que visa oferecer acesso à internet (não tão) rápida por um pequeno preço. A idéia inicial se baseia em dois planos: no plano de incentivos, uma conexão de até (leia bem, até) 512kbps por R$15, com direito a limitação de downloads, e o plano comum, com velocidade de até (novamente, até) 768kbps por R$35. Para isso, foi ressuscitada a Telebrás, que será a gestora do plano, mas o governo quer que as empresas privadas complementem o serviço. No caso, a Telebrás atuaria vendendo internet por atacado, ou seja, vendendo banda para pequenos e grandes provedores para atuarem no plano. Maluco, não?
De início pode até parecer interessante. Mas, como sempre, nosso governo é atrasado e faz o plano porcamente. Convenhamos, 768kbps não é velocidade para o ano de 2010. O YouTube foi criado, o Facebook está se popularizando, o Flickr adentra no Brasil e o uso de redes sociais e o uso de programas peer-to-peer é cada vez maior – e tende a crescer.
Usuário quer internet para se informar. Para ter conteúdo. Hoje, a mídia se baseia, principalmente, em vídeos. E o meio de informação também evolui. A bola da vez é o papel das redes sociais. Os principais jornais, nacionais e internacionais possuem uma conta no Twitter e no Facebook. Acaba que, no meio do ato da informação, o usuário interage com seus amigos e se socializa virtualmente.
Ok. Entendeu o porquê de ter uma banda larga, certo? Vamos aos erros, agora.
1º erro: O governo vai aproveitar as fibras ociosas da Eletronet.
Vocês devem estar pensando que eu estou louco, mas não estou. Ressuscitar a fibra da Eletronet é um passo pra trás no plano banda larga. A vulnerabilidade sobre isso é enorme, e o risco de trazer processos e complicações pro governo é maior. Mas, como o governo ADORA complicações, em vez de fazer um leilão para, quem pagar a dívida da Eletronet ficar com as fibras, ele vai lá e se “apropria”. Isso é algo meio socialista, convenhamos.
2º erro: O governo quer ser o backbone das operadoras
Serviço público não funciona direito. E seria o mesmo se o governo que levasse o acesso a internet à última milha. Aí, qual a ideia do governo? Fornecer o link de acesso para os provedores, que atuarão em determinada área. Nas cidades onde não for de interesse das operadoras atuarem, o governo que proveria acesso ao usuário. Isso não vai dar certo, uma bagunça enorme, em cada lugar uma empresa diferente atua. Precisa ser algo mais unificado. Provedores pequenos não tem tanto futuro assim.
Além disso, deve-se lembrar que, nos planos da privatização das teles, o governo não poderia atuar no setor antes de algum ano aí que eu não me lembro muito bem – mas algo tipo 2025. Já é uma quebra de contrato..
3º erro: criar planos limitados
Ora, a intenção principal da banda larga é manter uma conexão de alta velocidade, e constante. Façamos um cálculo cabuloso aqui: suponhamos que, em uma velocidade de 1Mb, você tenha 3Gb de quota: você só terá direito a navegar a 1Mb durante, aproximadamente, uma hora. E são 3Gb num mês, que possui de 672h (fevereiro) a 744h (meses com 31 dias).
Tudo bem que existirá planos ilimitados também, mas criar limitação em pleno 2010 é ter a mesma burrice que as operadoras móveis tiveram a criar seus planos de banda larga 3G.
4º erro: velocidade
O governo quer fornecer 768kbps. Parece que não vivenciamos mais a Web 2.0. Para manter uma navegação decente, é preciso de, no mínimo, 1,5Mb.
Lembre-se que, com essa inclusão, o número de heavy-users aumentará, inclusive nas cidades pequenas. Quando a pessoa quiser uma velocidade maior, se ela não tiver na área de cobertura de outras operadoras, não poderá contratar uma banda maior.
Também é necessário lembrar que, nos Estados Unidos, China, Japão e outros países querem levar 100Mbps pro usuário. O governo aqui é tão incompetente que não vai levar nem 1Mb.
Concluindo: o PNBL era uma chance para o governo ganhar uma reputação maior. Mas parece – aliás, é – que nossos governantes só pensam no próprio bolso. Uma conexão de 3Mb da GVT custa R$49. O governo quer vender de 512kbps a 768kbps por R$35. Há um problema com preços nisso aí…


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